Alimentação durante a gravidez

Alimentação durante a gravidez

Uma alimentação adequada da grávida é fundamental para a saúde da mãe e do filho. A gravidez e a amamentação são etapas da vida da mulher nas quais é necessário aumentar o fornecimento de energia através da dieta.
Se bem que é verdade que não é preciso “comer por dois”, é necessário efectuar alterações na nossa alimentação. Através da dieta, devemos obter o fornecimento extra de energia necessário ao desenvolvimento e crescimento do feto, a formação da placenta e para fazer frente à maior necessidade em energia do organismo da mulher grávida.
Calcula-se que a dieta da grávida deve fornecer entre 2300 e 3000 calorias diárias. As proteínas, necessárias para o crescimento do feto, devem representar 15 % da dieta, as gorduras 30% e o resto os hidratos de carbono (açúcares).

A alimentação da grávida deve ser o mais variada possível incluindo alimentos ricos em proteínas animais (carnes, ovos, leite, peixe) e vegetais (legumes, trigo, aveia), frutas e hidratos de carbono (pão, batata, arroz, massa). Convém beber água em abundância, aumentar o consumo de cítricos (sumo de laranja) e a ingestão de leite ou derivados. Deverá evitar-se sempre, até conhecer o estado imunitário em relação à toxoplasmose, o consumo de carne crua ou pouco cozida.
à aconselhável que as refeições sejam condimentadas de forma simples, evitando fritos e especiarias. à bom distribuir a ingestão de alimentos ao longo do dia, de forma a fazer refeições moderadas mas frequentes (cinco refeições por dia: pequeno-almoço, meio da manhã, almoço, lanche e jantar).

A título de exemplo, uma dieta de 24 horas aplicável a uma mulher grávida, com peso adequado para a sua altura, seria:

Pequeno-almoço: Leite. Cereais ou torradas com marmelada. Sumo de fruta ou uma peça de fruta.
A meio da manhã: Leite ou derivados (iogurte, requeijão). Fruta
Almoço: Legumes com batata, massa ou arroz. Carne ou peixe com salada. Fruta. Pão.
Lanche: Leite ou derivados, torrada. Fruta.
Jantar: Legumes, massa, arroz ou salada. Peixe, carne, ovos ou fiambre. Fruta ou derivados do leite. Pão

As bebidas alcoólicas durante a gravidez são totalmente desaconselhadas. Não existe qualquer barreira entre a mãe e o bebé, isto significa que o nível de álcool no sangue materno e fetal é idêntico, com a agravante de que o fígado do feto é incapaz de desintoxicar-se do álcool que lhe chega, dependendo totalmente do fígado materno. O álcool durante a gravidez pode provocar o síndrome alcoólico fetal no feto, que se caracteriza por atraso mental e traços faciais característicos e, apesar deste síndrome costumar aparecer em grandes consumidoras de álcool, não existe um nível a partir do qual se possa assegurar que isto não vai acontecer. Logicamente, pode-se brindar ocasionalmente com bebidas de baixa graduação, como por exemplo o espumante.
No que se refere ao aumento de peso verificado na gravidez e que em ocasiões tanto preocupa, é preciso saber que é tão prejudicial para o bebé que a mãe engorde demasiado ou que não engorde o suficiente. Embora se considere que o aumento de peso no final da gravidez deveria oscilar entre os 9 e os 12 kg quando no início da gravidez a mãe parte do seu peso ideal, deixa de existir um peso ideal e o importante é um controlo do mesmo durante a gravidez e uma alimentação correcta.

Existem circunstâncias especiais nas quais é conveniente seguir recomendações dietéticas específicas:

Em caso de enjoos ou vómitos é aconselhável:
• Comer em pequenas quantidades ao longo de todo o dia (6 refeições/dia).
• Preferir alimentos sólidos a líquidos e frios em vez de quentes (purés, legumes, frutas).
• Começar com iogurtes, pudins, compotas… e ir adicionando frutas, vegetais e carnes progressivamente.
• Preparar refeições simples, evitando molhos e estufados.
• Não ingerir alimentos gordos, ácidos nem picantes.
• Não tomar café nem álcool.
• Comer em função do apetite, sem forçar.
• Repousar 15-20 minutos após cada refeição.
• Tomar o pequeno-almoço na cama diminui os vómitos matinais.

Em caso de obstipação é recomendável:
• Beber um ou dois copos de água, ou melhor um sumo de frutas, em jejum, cinco minutos antes do pequeno-almoço.
• Comer frutas e legumes, todos os dias.
• Aumentar a ingestão de alimentos ricos em fibra.
• Comer todos os dias uma taça de muesli ou cereais, um pouco de farelo em bolachas e/ou uma fruta.
• Comer pão integral.
• Habituar-se a ir à casa de banho todos os dias, de preferência pela manhã.
• Beber em abundância.
• Não usar laxantes sem autorização médica.

Gostaria de saber se se pode tomar café estando grávida sem prejudicar o bebé?

A cafeína que o café contém é uma substância estimulante que ao ser absorvida produz efeitos negativos sobre o sistema nervoso e o aparelho circulatório. Ã pouco recomendável abusar do café e aconselha-se limitar a sua ingestão ao máximo de três vezes ao dia.

Queria perguntar como evitar a azia.

Deveria evitar alimentos e bebidas irritantes como as refeições muito condimentadas, café e colas. Um conselho que pode ser-lhe útil é nunca se deitar imediatamente depois de comer, tente esperar 1 ou 2 horas. Se, apesar de tudo, os incómodos forem grandes, pode consultar o seu obstetra para que lhe indique um antiácido que possa tomar durante a gravidez.

Adoro ovos e queria saber se é mau comer muitos estando grávida.

O recomendável é consumir de 2 a 4 ovos por semana uma vez que, embora as quantidades superiores não afectem o desenvolvimento da gravidez, aumentam notavelmente a taxa de colesterol.

à necessário tomar vitaminas?

Em princípio, como regra geral, não é necessário. Embora a falta de algumas vitaminas durante a gravidez pode provocar alterações no desenvolvimento e crescimento fetal, devemos ter em conta que, na dieta mediterrânica, não faltam vitaminas e minerais. Se uma mulher está em boas condições de nutrição quando fica grávida e em certa altura o consumo é superior à ingestão pode utilizar as suas reservas sem afectar o crescimento do feto. As carências de vitaminas e a necessidade de as suplementar, apenas aparecem no caso de transtornos da alimentação ou dietas de emagrecimento.

Estou grávida pela primeira vez e soube à pouco tempo, estou preocupada porque estou a emagrecer. à mau?

Nas primeiras semanas da gravidez, o aumento de peso pode ser insignificante e inclusive, às vezes, devido a ser frequente o aparecimento de enjoos e vómitos, pode perder-se entre 1 e 2 kg. Isto não é preocupante uma vez que o peso é recuperado nas semanas seguintes.

à verdade que deve evitar-se o sal durante a gravidez?

Durante a gravidez podem-se continuar a realizar as refeições normalmente, embora seja recomendável moderar a quantidade de sal. Apenas no caso de hipertensão arterial é conveniente controlar o consumo de sal.

Desde que estou grávida não posso tomar leite porque me provoca enjoos terríveis. Preocupo-me porque me disseram que é muito importante tomá-lo.

Embora seja muito recomendável aumentar a ingestão de lacticínios durante a gravidez para aumentar o fornecimento de cálcio, deve-se ter em conta que o cálcio faz parte da estrutura de muitos alimentos. Não se deve preocupar porque nos casos de intolerância aos lacticínios, como pode ser o seu, o fornecimento de cálcio pode ser conseguido através de outro tipo de alimentos.

Sou uma futura mamã e gostaria de saber que alimentos são proibidos na gravidez

Não se pode dizer que exista um alimento proibido durante a gravidez, no entanto recomenda-se evitar os seguintes:
• Carne crua ou frita
• Fritos em geral
• Especiarias
• Enchidos e charcutaria
• Doces e bombons
• Peixes gordos
• Salgados
• Chocolate
• Picantes e molhos
• Mariscos crus
• Bebidas alcoólicas e gasosas
• Café, chá e colas

Posso comer enchidos?

Não é aconselhável que os enchidos façam parte da dieta habitual da grávida pelo seu alto teor em gorduras. Se não é imune à toxoplasmose não deverá consumir carne nem enchidos crus embora possa comer fiambre, paio e enchidos cozidos.
 

Artigos relacionados

Pode interessar-te: