Socorro! O meu filho não quer comer!

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Socorro! O meu filho não quer comer!

Muitas crianças passam por fases em que rejeitam determinados alimentos, ou mesmo qualquer tipo de comida.

Este fenómeno é especialmente comum nas crianças até aos 5 anos de idade, mas pode ocorrer em qualquer idade. Por vezes, é uma forma de exprimirem o seu desejo de independência e faz parte do seu processo normal de amadurecimento e crescimento.

Embora possa constituir um motivo de grande preocupação para os pais, não é habitual as crianças sofrerem complicações se não comerem o suficiente durante um curto período de tempo. As suas necessidades podem ser menores do que se pensa.

Comentar o problema com outros pais que passaram pela mesma situação com o seu próprio filho pode ajudá-los.

Se o problema não melhorar e estiverem preocupados com o crescimento do vosso filho, tanto no que se refere à altura como ao peso, podem contactar o seu pediatra ou nutricionista.

O QUE Ã QUE POSSO FAZER?

Oferecer comidas e “snacks” ou refeições ligeiras de forma regular. Ã melhor isto do que deixar o seu filho “petiscar” o dia inteiro.

Se possível, comam ao mesmo tempo que o vosso filho, pois aprenderá convosco.

Tentem fazer com que as refeições sejam agradáveis e sociáveis.

QUE SEJAM DIVERTIDAS

Sentem-se à mesa e utilizem pratos e chávenas atractivos e coloridos.

Tentem comer num sítio sossegado e relaxado, sem televisão, uma vez que as crianças se distraem facilmente.

Convém não ter pressa às refeições, já que algumas crianças são um pouco lentas. No entanto, a refeição não se deve eternizar. Meia hora seria uma duração correcta.

GUIA PARA AS FAMÍLIAS

NUNCA OBRIGAR A CRIANÇA A COMER

O seu filho mostra-lhe que comeu o suficiente:

- Quando vira a cabeça.
- Quando afasta o prato ou a tigela para longe, até mesmo para o chão!
- Quando grita.
- Quando cospe constantemente a comida.
- Quando mantém a comida na boca e se recusa a engolir.

Procure não demonstrar que está preocupada ou incomodada pelo facto do seu filho não comer.

Ainda que seja difícil fazê-lo, porque o seu filho não come, é aconselhável retirar a comida da mesa sem qualquer comentário.

à uma boa ideia as crianças usarem os dedos para brincarem com a comida. Não se preocupe se se sujam.

Se o seu filho deixar de comer durante uma refeição, tente incentivá-lo mais uma vez a comer alguma coisa. Se isto não resultar, demonstre-lhe que está contente (diga-lhe “lindo menino, muito bem”) e sorria para ele.

Ofereça-lhe um prémio, como um passeio ou uma brincadeira especial em conjunto. Não lhe ofereça um prémio que seja alimentar.

QUE ALIMENTOS DEVO DAR-LHE E QUANDO?

Dê pequenas porções de alimentos às refeições. Se as terminar, dê-lhe mais. Não deve retirar a comida e oferecer uma comida complementar diferente se a criança recusar a primeira que lhe foi oferecida.

As bebidas refrescantes, batidos e leite podem encher a criança, assim como as batatas fritas, bolachas, massas, etc. ... Por isso, tem menos apetite para comer às horas habituais. à melhor evitar dar-lhe estes alimentos próximo das horas de almoço ou jantar.

Quando a criança passa uma temporada e se mostra esquisita com a comida ou rejeita os alimentos, é melhor não lhe oferecer alimentos novos. Deixe-a tentar comer sozinha, dando-lhe bocados pequenos que consiga agarrar.

Experimente dar-lhe sandes pequenas, salsichas, pedaços de queijo mole, batatas, tiras de legumes e bocados de fruta.

O leite é uma bebida nutritiva, a criança deve beber meio litro por dia. Contudo, o leite não deve substituir as refeições. Deve estar atenta para que o seu filho não beba demasiado leite durante o dia ou a noite.

LEITE E DERIVADOS LÁCTEOS

- Tentar que a criança beba meio litro de leite por dia.
- Experimentar queijos, iogurtes, pudins, leite-creme, arroz-doce ou batidos de leite como outras fontes de cálcio.

CARNES OU ALTERNATIVOS

- Pode comer todo o tipo de carne, controlando o consumo de gordura.
- Também pode comer diferentes tipos de peixe.
- As crianças gostam da carne fácil de mastigar: carne picada, salsichas, frango, barrinhas de peixe e peixe com molho.
- Também os legumes (lentilhas, grão-de-bico, etc. ...) são bons alimentos em substituição da carne e do peixe.

AS FÃCULAS

- As crianças devem comer estes alimentos a cada refeição. A maioria das crianças gostam de comer cereais ao pequeno-almoço, bem como pão ou torradas. Além disso, devem incluir batatas, arroz, esparguete e outros produtos derivados dos cereais.

PEQUENO-ALMOÇO

- Uma tigela pequena de cereais com leite ou uma torrada com manteiga / margarina e geleia.
- Para beber, leite.

REFEIÇÕES LIGEIRAS OU “SNACKS”

- Sandes pequena com fiambre ou queijo magro.
- Iogurte ou queijo fresco.
- Sumo de fruta ou fruta.

REFEIÇÕES PRINCIPAIS

- Esparguete, arroz, batatas.
- Carne fácil de comer e digerir, peixe, ovos ou legumes.
- Fruta fresca, inteira ou aos pedaços, ou sumo de fruta.

NOITE

- Leite.

FRUTAS E LEGUMES

- São necessárias duas porções por dia, tanto de legumes como de frutas. Ã melhor fruta fresca, mas também pode utilizar frutas de conserva ou congeladas.

GORDURAS

- As crianças necessitam de uma determinada quantidade de azeite, manteiga ou margarina para o seu crescimento.

AÇÚCAR E DOCES

- O açúcar e os alimentos doces podem fazer parte da alimentação do seu filho, desde que o seu consumo não seja excessivo. Ã aconselhável evitar que comam doces entre as refeições.

O meu filho de 2 anos é esquisito a comer, sobretudo a sopa, mas é verdade que ficará bem alimentado se eu conseguir com que ele coma só a carne?

Uma ingestão excessiva de carne é prejudicial, uma vez que fornece demasiadas proteínas e gorduras. Evite a carne de porco, se não for ibérico (incluindo salsichas de Frankfurt e outras do género) e os enchidos (linguiça, chouriço, paio, mortadela, etc.), excepto presunto doce ou serrano (e não em excesso). à preferível a carne de vitela ou de frango à de borrego, mas, de qualquer modo, retire-lhe toda a gordura antes de a cozinhar.
Se não quiser comer, não deverá forçá-lo, pois é ele que deve decidir que quantidade de comida lhe apetece comer. Por outro lado, cabe-lhe a si decidir que tipo de comida lhe dará: não a troque por outra se ele não gostar, nem ceda aos seus pedidos. Crie alguns menus predefinidos, dieteticamente equilibrados, de acordo com as regras dadas pelo seu pediatra (para uma ou duas semanas), e vá repetindo-os. Se a criança não gostar do que lhe dão em determinada refeição, que coma menos ou que fique sem comer aquilo que não gosta, mas não substitua esse alimento por outro.

O meu filho de 15 meses recusa-se a mastigar, só come alimentos passados. Zango-me e deixo-o sem comer e, mesmo assim, não há maneira de resolver o problema. O que posso fazer?

A partir do primeiro ano de idade, a criança já está em condições de iniciar uma dieta variada e de consistência mais sólida, dado já ser capaz de mastigar e digerir alimentos não líquidos. De qualquer modo, a habilidade e/ou a disposição de mastigar alimentos sólidos depende da maturidade de cada criança. Está na altura de lhe oferecer novos alimentos cortados aos pedaços, de consistência tenra, que possa triturar na boca e converter em polpa. Fique atenta, não vá engasgar-se, e tenha paciência.

O meu filho come pouco. Ã aconselhável tomar vitaminas?

Um consumo injustificado de vitaminas não traz qualquer benefício comprovado para a saúde da população. Receitar vitaminas sem saber se a criança precisa delas não soluciona nada, podendo mesmo ser prejudicial. O consumo de suplementos vitamínicos só se justifica em crianças que seguem dietas muito inadequadas, em crianças com necessidades elevadas de vitaminas devido a algum distúrbio metabólico ou a alguma doença, ou em crianças com défices secundários de alguma delas. Se uma criança do nosso meio tivesse um défice de vitaminas, possivelmente teria uma ou duas (do mesmo grupo) em falta, mas jamais lhe faltariam todas. Nesse caso, necessitaria das vitaminas que não tem, mas não de outras, e sempre sob a forma mais natural possível, fugindo de preparados artificiais. Além disso, a administração de doses de vitaminas muito elevadas faz com que o organismo responda destruindo as que sobram, ou seja, é provável que depois se fique com níveis demasiado baixos.

O meu filho sempre foi magro e nunca comeu muito mas, apesar disso, tem uma boa barriguinha. O pediatra quer fazer-lhe análises. Tendo em conta que obra normalmente e não perdeu peso, será necessário?

Sim, se o seu peso for inferior ao normal e a barriguinha estiver inchada, é conveniente. Devem ser estudadas eventuais alergias alimentares, sobretudo ao glúten, que pode originar ausência de crescimento, outros sintomas não digestivos e distensão abdominal.

O meu filho não quer beber o leite mas come muito bem os outros alimentos. Será que lhe falta cálcio para o seu crescimento?

Os seguintes alimentos são ricos em cálcio: tâmaras, nabos, tamboril, linguado, azeitonas, alho francês, pescada, polvo, figos secos, couve, gambas, lagostins, amêndoas, avelãs, cebola, camarões, goraz, amêijoas, sardinhas (frescas ou enlatadas).
TEOR EM CÁLCIO (EM MG./100 G.)
• Lacticínios: Queijo magro (105), queijo Gruyère (1000), queijo Emmental (900), leite de vaca (120).
• Leguminosas: Soja (286), feijão branco (145), favas (143), grão-de-bico (94), feijão vermelho (84), lentilhas(67).
• Cereais: Farinha de soja (223), farinha de trigo (187), pão de trigo integral (65), pão de aveia (57).
• Tubérculos e hortaliças: Salsa (240), agriões (192), brócolos (138), cardo-hortense (89), espinafres (85); alcachofras (66), nabo, alho francês e cebola
• Peixes e mariscos: Enguia de rio (414); gambas, lagostins e camarões (305); lulas e polvo (263), anchovas (203), sardinha fresca / em conserva (95), salmão (66), tamboril, pescada, linguado e goraz.
• Ovos: Gema (142).
• Outros: Figos secos, amêndoas, avelãs, azeitonas.

O meu filho de 1 ano comia muito bem até aprender a andar. A partir de então, até os seus alimentos preferidos rejeita. O que devo fazer?

à frequente as crianças mudarem de atitude face à comida quando atingem um certo grau de independência: querem participar activamente no acto de comer, pegando nela com os dedos ou com a colher, querem provar a dos pais e a dos irmãos e pode acontecer rejeitarem algum dos seus alimentos habituais. Muitas vezes, não demonstrará muito interesse pela comida e preferirá caminhar e explorar tudo. Isto fará com que as refeições sejam mais irregulares do que antes e a aprendizagem possa ser mais ou menos prolongada. à necessário que descubra os novos alimentos como um jogo (mantendo-se os purés como alimento básico). Também deve começar a beber por um copo, se ainda não o fez (é conveniente suprimir o biberão antes dos 18 meses), e aprender a utilizar a colher correctamente. Os pais têm que demonstrar paciência e imaginação para evitar que as refeições se tornem desagradáveis.
Distraia a sua “rebeldia” com um copo, ou um prato, e uma colher que ele possa manusear e permita que pratique as suas novas habilidades com pequenas porções de alimentos, enquanto lhe vai dando colheres de puré ou dos seus alimentos habituais. Evite que tenha demasiado sono à hora das refeições e tenha paciência.

A minha filha está a crescer bem mas está muito magra. Em bebé, era rechonchuda. Agora come alimentos variados mas em pouca quantidade, o que me preocupa.

Nem sempre se cresce e se engorda da mesma forma ao longo da infância.
A velocidade de crescimento em altura diminui incrivelmente a partir do primeiro ano até à puberdade (consulte os gráficos de velocidade de crescimento que o pediatra ou a assistente lhe mostrarão). A velocidade com a qual se aumenta de peso também diminui muito, de forma que entre os 3 e os 6-7 anos é mínima, em comparação com os primeiros 2 anos. Daí ser normal a criança ter menos apetite à medida que cresce, que entre os 18 meses e os 6 anos coma relativamente pouco e que, a partir dos 6-8 anos, e sobretudo na puberdade, volte a comer cada vez mais.

Mesmo com o recurso ao castigo, a minha filha é muito esquisita. Cada jantar é um drama. Apesar de lhe dar prémios quando consegue comer tudo, as refeições estão a tornar-se uma tortura. O que mais posso fazer?

A alimentação é uma necessidade fisiológica. Não a utilize como instrumento de recompensa ou castigo.
(“Se não comeres, não vais a... ou não te dou... ou não gosto mais de ti...). Também não deve recompensar quem termine um prato nem utilizar doces ou “petiscos” para reconfortar, sobretudo crianças pequenas, e muito menos dar-lhos entre as refeições. Estabeleça, pelo menos, um tempo diário para comerem juntos.
Se possível, mantenha o almoço ou o jantar como momento de reunião familiar, todos sentados à mesa, a conversar (come-se mais devagar). Nunca deve deixar a criança brincar com algum objecto enquanto come. Beber muita água (e só água) durante as refeições.

O meu filho não come fruta. Dou-lhe sumos e leite para compensar mas cada vez é mais selectivo. Existe algum truque para isto?

Evitar as bebidas calóricas (bebidas comerciais com ou sem gás), excepto o leite (e este só como sobremesa ou pequeno-almoço/lanche).
Evitar sumos de fruta comerciais. Como sobremesa ou pequeno-almoço/lanche, é melhor comer fruta inteira (sem a espremer para eliminar a polpa nem filtrá-la para fazer sumo natural, pois com isso perde-se a fibra e boa parte das suas vitaminas e minerais). A fruta pode ser triturada (numa liquidificadora) depois de descascar e de retirar as pevides, mas adicionando depois a maior quantidade de polpa em excesso que a criança tolere.

Penso que a minha filha de 15 meses está aborrecida, já que, para que a sua alimentação seja saudável, tudo é cozinhado a vapor e sem molhos nem sal. Apesar do que o pediatra diz, ela só quer a nossa comida, assim como salsichão, chouriço, o que é mais apetitoso. Ela já pode comer de tudo?

Ainda não convém condimentar sistematicamente os alimentos com sal suplementar ou especiarias. Os alimentos ideais são fervidos ou estufados, cozidos a vapor, grelhados, etc. Os panados, os fritos, os enchidos e o peixe azul já podem ser introduzidos, com moderação, por volta dos 18 meses.
 

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