Os antibióticos

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Os antibióticos

Os antibióticos são medicamentos muito eficazes que, nas últimas décadas, contribuíram de forma extraordinária para a diminuição da mortalidade infantil. No entanto, não devem ser indiscriminadamente administrados sem sabermos que tipo de infecção ou micróbio queremos tratar. Durante os últimos anos, os antibióticos foram sendo aperfeiçoados e, actualmente, dispomos de uma grande quantidade deles. A sua actividade estendeu-se praticamente a todas as bactérias que provocam doenças nas crianças e a sua potência aumentou muito, ao mesmo tempo que os seus efeitos secundários diminuíram consideravelmente. Muitos dos antibióticos antigos que causavam estes efeitos quase já não se utilizam em pediatria.

No entanto, o abuso do seu consumo faz com que as bactérias se vão habituando cada vez mais a eles e se tornem resistentes, o que causa problemas graves para tratar alguns casos de doenças frequentes. Isso pode ser evitado se tivermos muito cuidado com a sua administração: os antibióticos não são necessários nem indicados para todas as doenças infecciosas, já que não têm nenhuma utilidade face aos vírus, que são os microorganismos que causam 80% das doenças infecciosas infantis.

INFORMAÇÃO IMPORTANTE SOBRE ANTIBIÓTICOS


• Os antibióticos são medicamentos potentes: Alguns, por vezes, podem mesmo ser tóxicos para alguns tecidos do organismo ou provocar reacções adversas perigosas.

• Não pode prescrevê-los: Uma vez que são medicamentos potentes, devem ser bem utilizados e nunca deve recorrer a eles sem que o pediatra os tenha prescrito. O antibiótico deve ser adequado à bactéria que causa a doença, deve ser tomado nas doses correctas e o tratamento deve durar um tempo determinado.

• Nunca deve administrá-los sem antes ter consultado o seu pediatra: Não o faça, mesmo que lhe tenham sido receitados outras vezes para uma doença que lhe pareça ser semelhante à actual.

• Sobretudo, não deve administrá-los ao seu filho se tiver febre mas a causa não for clara: O facto de ter febre alta não indica a necessidade de lhe dar antibiótico, pois a infecção que esta febre provoca pode ser de origem vírica e a administração de antibiótico seria inútil. A quantidade de febre, salvo no lactante muito pequeno, não está directamente relacionada com a gravidade da doença. Mesmo que o seu filho/a tenha febre, não deve assustar-se se o seu estado geral for bom.

• Se lhe tiverem receitado antibióticos para o seu filho/a, não deve interromper o tratamento a meio, mesmo que ele/a já se sinta bem: Se começar a dar-lhos quando o pediatra indicar, não deixe de o fazer até levar o tratamento até ao fim, mesmo que lhe pareça que já está curado/a ou que não estão a fazer efeito. Se tiver dúvidas, vá novamente ao pediatra.

• Muitos efeitos secundários atribuídos aos antibióticos não são verdade: Muitos dos efeitos secundários que popularmente se atribuem aos antibióticos (fraqueza, diminuição das defesas, anemia, etc.) não correspondem à verdade. Os antibióticos não provocam estes efeitos, nem mesmo no caso de ter que lhos dar várias vezes ou durante muito tempo. O antibiótico contribui, juntamente com as defesas do organismo, para combater as bactérias.

à frequente o meu filho ter bronquite. Começa com chiadeira e, quase sempre, depois dos inaladores, acabam por lhe receitar antibiótico. Teve uma pneumonia. Agora um novo pediatra nunca quer receitar-lhe antibióticos imediatamente, uma vez que não o conhece. Pode haver complicações?

As bronquites nas crianças são quase sempre desencadeadas por vírus respiratórios, embora haja uma origem alérgica condicionante numa percentagem considerável. Por este motivo, é correcto não receitar imediatamente antibiótico, mas sim broncodilatadores, e fazer uma boa limpeza das fossas nasais. O antibiótico só se encontra indicado em caso de sobreinfecção respiratória causada por bactérias, sendo a indicação do pediatra fundamental.


Uma vez receitaram um antibiótico de 3 dias à minha filha de 3 anos, com o qual se deu bem. Sempre que tem de tomar medicamentos é um problema. No outro dia, o meu pediatra receitou-lhe um para tomar de 8 em 8 horas durante 8 dias para curar uma otite. Será que posso substituí-lo pelo outro?

No que diz respeito a antibióticos, nunca deve automedicar-se, muito menos as crianças. A azitromicina é um antibiótico do grupo dos macrólidos que é administrado numa toma única diária e durante 3 ou 5 dias, dependendo da infecção. Não é o antibiótico mais indicado para otites, pois frequentemente existem bactérias resistentes. Portanto, não deve substituí-lo, a não ser que o seu pediatra lho indique especificamente.


O meu bebé de 12 meses teve alergia a um antibiótico que continha amoxicilina. Ao fim de 3 dias, começaram a aparecer manchas roxas. Agora receitaram-lhe outro, de outra marca. Estou a dar-lho e parece-me estar bem, mas apercebi-me de que também contém amoxicilina. Devo parar o tratamento?

à possível que a “alergia” que teve fosse uma erupção cutânea causada por uma infecção viral, visto esse sintoma ser mais frequente em lactantes do que as reacções alérgicas a antibióticos. A alergia cutânea à amoxicilina tanto pode aparecer imediatamente após uma ou duas doses, como ao fim de 8 ou 10 dias. Consulte o seu pediatra ou alergologista e suspenda o tratamento de imediato caso apareçam novas lesões na pele.


Desde que entrou para o infantário que o meu filho não pára de adoecer e de tomar antibióticos. Caem-lhe mal no estômago e provocam-lhe sempre diarreia. O que é que poderei fazer?

Em caso de diarreia significativa, especialmente se existir muco ou sangue nas fezes, deve suspender o antibiótico de imediato. Em caso de fezes soltas, se o antibiótico for necessário, os alimentos probióticos (iogurtes ou derivados com bífidus, por exemplo) ou os preparados à base de lactobacilos podem melhorar a flora intestinal e contribuir para uma melhor tolerância do antibiótico. Aconselhe-se junto do seu pediatra.


à perigoso dar medicamentos homeopáticos, em vez de antibióticos, a uma criança com infecção respiratória?

O que é perigoso é que sejam os pais a decidir sem um diagnóstico médico correcto. As infecções de origem bacteriana podem ser graves se não se seguir um tratamento antibiótico correcto, mas na maioria das vezes as infecções respiratórias são de origem viral e não requerem antibióticos para o seu tratamento. Consulte o seu pediatra ou médico homeopata em cada caso.

Os meus cunhados vivem na Holanda e lá é muito raro recorrerem aos antibióticos para curarem os filhos pequenos. Em contrapartida, em Portugal, o meu pediatra acaba quase sempre por me receitar antibiótico. Ã normal?

Em cada caso devem ser tomadas decisões médicas individualizadas. Em muitos países europeus, as crianças não frequentam infantários a partir de uma idade tão precoce como no nosso, e não apanham tantas infecções causadas por bactérias. Além disso, também não têm o nível de resistência bacteriana a diferentes antibióticos como no nosso país. De qualquer forma, a maioria das infecções respiratórias são de origem viral e não requerem antibióticos para o seu tratamento. Fale com o seu pediatra sobre as suas preocupações relativamente a este tema e ele ajudá-la-á a tomar a decisão correcta em cada caso.


Se o meu filho já se sentir bem, porque é que devo completar os 8 dias de antibiótico? Eu li que não é bom tomar antibióticos durante tanto tempo.

O antibiótico deve ser adequado à bactéria que causa a doença, deve ser tomado nas doses correctas e o tratamento deve durar um determinado tempo. Nunca deve ser suspendido antes do tempo, uma vez que essa acção pode contribuir para que as bactérias se tornem resistentes ao antibiótico.


O meu filho tem sempre febre alta e, muitas vezes, não lhe receitam antibióticos quando está doente, pois o meu pediatra não é muito apologista deles. Fico sempre muito preocupada por causa da febre e tenho medo que o estado dele se complique. O que é que poderei fazer?

O facto de ter febre alta não significa que tenha necessidade de lhe dar antibiótico, pois a infecção que causa esta febre pode ser de origem viral e a administração de antibiótico seria inútil. A quantidade de febre, salvo no lactante muito pequeno, não está directamente relacionada com a gravidade da doença. Mesmo que o seu filho tenha febre, não deve assustar-se se o seu estado geral for bom. Contudo, se a febre persistir mais de 3 dias ou se o seu estado geral piorar, então é conveniente consultar novamente o médico.
 

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